Autoestima e Relacionamentos

Por Equipe Triskel Vida • 20/02/2026

O que podemos entender sobre autoestima? Ela pode ser definida como uma autoavaliação, influenciando diretamente sua percepção de valor, competência e autoaceitação” (FERNANDES; OLIVEIRA, 2023, p. 7).

Para   compreendê-la   integralmente, é   importante também   considerar   o   autoconceito, que   se   refere   à percepção   que   o   indivíduo   tem   de   si   mesmo, e   a autoimagem, assim como o resultado das observações pessoais em que o indivíduo se vê como objeto de sua própria compreensão. (SERRA, 1988).  Assim, uma pessoa pode ter diferentes “autoimagens”, como se sentir bem-sucedida como mãe, mas inferior no trabalho. Chamamos também de “persona”, onde em cada ambiente desenvolvemos essa “persona” para trabalhar melhor suas atribuições. 

A   autoestima   é   uma   evidente   associação de qualidade de vida e saúde mental e, claro, indicador de boas relações sociais (FERNANDES; OLIVEIRA, 2023).

Relacionamentos

1. O Ciclo de Interação (Conceituação Cognitiva)

Na TCC, o foco não é apenas o que acontece, mas como cada um interpreta as ações do outro.

  • Pensamentos Automáticos: São as interpretações rápidas. Ex: Se o parceiro demora a responder, um pode pensar “ele está ocupado” (gerando calma), enquanto o outro pensa “ele não se importa mais” (gerando ansiedade/raiva).
  • Crenças Nucleares: O relacionamento é muitas vezes o palco onde nossas crenças mais profundas sobre desamparo, desamor ou valor próprio são testadas.

2. A troca de reforços (comportamental)

  • Um relacionamento saudável, sob a visão comportamental, mantém um nível de reforço positivo (trocas gratificantes) e um nível baixo de punição (críticas, sarcasmos, silencia punitivo). Quando a balança pende para o lado contrário, ocorre o desgaste do vínculo.

3. Distorções Cognitivas Comuns

Muitos conflitos surgem de “erros de processamento”, como:

  • Leitura de Mente: Achar que o outro “deveria saber” o que você quer sem que você diga.
  • Personalização: Acreditar que o humor ou comportamento negativo do outro é sempre culpa sua ou sobre você.

Para a TCC, um relacionamento é um sistema dinâmico onde o bem-estar depende da flexibilidade cognitiva (mudar pensamentos rígidos) e da modificação de comportamentos que geram ciclos de conflito.

Autoestima

Ela é o resultado de como você processa informações sobre si mesmo através de filtros cognitivos.

Esses são os pilares:

1. Sistema de Crenças (Autoconceito) 

A autoestima está ancorada nas suas crenças nucleares — verdades absolutas que você guarda sobre quem é. 

  • Crenças de Desamparo/Incapacidade: “Sou incompetente”, “Não consigo lidar com desafios”.
  • Crenças de Desamor/Indignidade: “Não sou amável”, “Sou inadequado”.

Na TCC, a baixa autoestima ocorre quando essas crenças negativas são ativadas, funcionando como uma lente que distorce a realidade.

2. O Papel do Modelo Cognitivo

Sua autoestima é mantida pela interação entre três fatores:

  • Pensamentos Automáticos: Se você comete um erro e pensa “Sou um idiota” em vez de “Eu errei desta vez”, sua autoestima sofre um impacto imediato.
  • Distorções Cognitivas: Pessoas com baixa autoestima costumam usar a Minimização do Positivo (ignorar conquistas) e a Maximização do Negativo (focar apenas nas falhas).
  • Comportamentos: Evitar desafios (por medo de falhar) ou buscar aprovação excessiva são comportamentos que reforçam a ideia de que você não é capaz por si só. 

3. Autoestima vs. Autoeficácia

A TCC faz uma distinção importante:

  • Autoestima: É o seu valor global como pessoa (O que eu sinto sobre quem eu sou?).
  • Autoeficácia: É a crença na sua capacidade de realizar tarefas específicas (Eu consigo fazer isso?).

Muitas vezes, a terapia foca em aumentar a autoeficácia por meio de experimentos comportamentais para, gradualmente, mudar a autoestima global.

A TCC busca criar uma autoestima inabalável ou pensamento excessivamente positivos. O objetivo é desenvolver um autoconceito realista e funcional. Isso significa reconhecer suas qualidade e aceitar suas vulnerabilidades sem julgamento punitivo, baseando-se em evidência concreta do dia a dia.