O que podemos entender sobre autoestima? Ela pode ser definida como uma autoavaliação, influenciando diretamente sua percepção de valor, competência e autoaceitação” (FERNANDES; OLIVEIRA, 2023, p. 7).
Para compreendê-la integralmente, é importante também considerar o autoconceito, que se refere à percepção que o indivíduo tem de si mesmo, e a autoimagem, assim como o resultado das observações pessoais em que o indivíduo se vê como objeto de sua própria compreensão. (SERRA, 1988). Assim, uma pessoa pode ter diferentes “autoimagens”, como se sentir bem-sucedida como mãe, mas inferior no trabalho. Chamamos também de “persona”, onde em cada ambiente desenvolvemos essa “persona” para trabalhar melhor suas atribuições.
A autoestima é uma evidente associação de qualidade de vida e saúde mental e, claro, indicador de boas relações sociais (FERNANDES; OLIVEIRA, 2023).
Relacionamentos
1. O Ciclo de Interação (Conceituação Cognitiva)
Na TCC, o foco não é apenas o que acontece, mas como cada um interpreta as ações do outro.
- Pensamentos Automáticos: São as interpretações rápidas. Ex: Se o parceiro demora a responder, um pode pensar “ele está ocupado” (gerando calma), enquanto o outro pensa “ele não se importa mais” (gerando ansiedade/raiva).
- Crenças Nucleares: O relacionamento é muitas vezes o palco onde nossas crenças mais profundas sobre desamparo, desamor ou valor próprio são testadas.
2. A troca de reforços (comportamental)
- Um relacionamento saudável, sob a visão comportamental, mantém um nível de reforço positivo (trocas gratificantes) e um nível baixo de punição (críticas, sarcasmos, silencia punitivo). Quando a balança pende para o lado contrário, ocorre o desgaste do vínculo.
3. Distorções Cognitivas Comuns
Muitos conflitos surgem de “erros de processamento”, como:
- Leitura de Mente: Achar que o outro “deveria saber” o que você quer sem que você diga.
- Personalização: Acreditar que o humor ou comportamento negativo do outro é sempre culpa sua ou sobre você.
Para a TCC, um relacionamento é um sistema dinâmico onde o bem-estar depende da flexibilidade cognitiva (mudar pensamentos rígidos) e da modificação de comportamentos que geram ciclos de conflito.
Autoestima
Ela é o resultado de como você processa informações sobre si mesmo através de filtros cognitivos.
Esses são os pilares:
1. Sistema de Crenças (Autoconceito)
A autoestima está ancorada nas suas crenças nucleares — verdades absolutas que você guarda sobre quem é.
- Crenças de Desamparo/Incapacidade: “Sou incompetente”, “Não consigo lidar com desafios”.
- Crenças de Desamor/Indignidade: “Não sou amável”, “Sou inadequado”.
Na TCC, a baixa autoestima ocorre quando essas crenças negativas são ativadas, funcionando como uma lente que distorce a realidade.
2. O Papel do Modelo Cognitivo
Sua autoestima é mantida pela interação entre três fatores:
- Pensamentos Automáticos: Se você comete um erro e pensa “Sou um idiota” em vez de “Eu errei desta vez”, sua autoestima sofre um impacto imediato.
- Distorções Cognitivas: Pessoas com baixa autoestima costumam usar a Minimização do Positivo (ignorar conquistas) e a Maximização do Negativo (focar apenas nas falhas).
- Comportamentos: Evitar desafios (por medo de falhar) ou buscar aprovação excessiva são comportamentos que reforçam a ideia de que você não é capaz por si só.
3. Autoestima vs. Autoeficácia
A TCC faz uma distinção importante:
- Autoestima: É o seu valor global como pessoa (O que eu sinto sobre quem eu sou?).
- Autoeficácia: É a crença na sua capacidade de realizar tarefas específicas (Eu consigo fazer isso?).
Muitas vezes, a terapia foca em aumentar a autoeficácia por meio de experimentos comportamentais para, gradualmente, mudar a autoestima global.
A TCC busca criar uma autoestima inabalável ou pensamento excessivamente positivos. O objetivo é desenvolver um autoconceito realista e funcional. Isso significa reconhecer suas qualidade e aceitar suas vulnerabilidades sem julgamento punitivo, baseando-se em evidência concreta do dia a dia.

